Em
2012, o Grupo de Estudos e Pesquisa em Conjuntura do Departamento de Economia
da UFES completou 15 anos de atividade, data celebrada em um ano marcado por
contrastes na conjuntura econômica brasileira.
De
um lado, aprofundou-se a flexibilização do chamado tripé da política
macroeconômica – a combinação de políticas formada pelo sistema de metas de
inflação, superávit fiscal e regime de câmbio flutuante, adotado desde o
segundo Governo FHC – com o uso de políticas econômicas ativas que tiveram por
objetivo sustentar o consumo, impulsionar o investimento e, assim, expandir o
crescimento, em meio à crise econômica internacional. Este processo já vinha
ocorrendo desde 2009 como resposta a crise financeira internacional de 2008,
notadamente no campo da política fiscal. Entre as medidas adotadas, destacam-se
a redução da taxa de juros Selic ao patamar histórico de 7,25%, em continuação
à trajetória de queda iniciada em agosto de 2011; a política de expansão do
crédito, com a redução das taxas de juros ao tomador final iniciada nos bancos
públicos seguida, posteriormente, pelos bancos privados; a desvalorização
administrada do real; e as desonerações fiscais, em particular, no setor
industrial, combinadas com mecanismos de mensuração do déficit público não
convencionais.
Por
outro lado, não se observou a contrapartida destas políticas ativas no
desempenho da economia brasileira. O produto interno bruto registrou baixa
expansão, apenas 0,9%, sustentada, na ótica da demanda, pelo consumo e, na
ótica da despesa, pela expansão do setor de serviços. A indústria, motor
dinâmico de uma economia, apresentou queda de 0,8%, puxada pela queda de 2,5%
na indústria de transformação. O investimento em formação bruta de capital
fixo, por sua vez, reduziu-se em 4%. O setor externo registrou uma piora no
saldo do balanço de pagamentos resultado das quedas no saldo da balança
comercial e na entrada de recursos na conta capital e financeira, aliadas ao
aumento das importações de serviços, reflexos das conjunturas econômicas
interna e externa. A política monetária atingiu o objetivo de controlar a
inflação, com o resultado do IPCA abaixo do teto previsto para a meta. Porém,
os resultados nos meses iniciais de 2013 indicam que a política de taxa de
juros baixa pode não ser mantida por muito tempo, com fortes pressões do
mercado para a sua elevação. A política fiscal, por sua vez, cumpriu as metas
de superávit fiscal, ainda que somente por meio de manobras contábeis, e
manteve seu caráter anticíclico com uma combinação de desonerações fiscais e
aumento da despesa. Contudo, o impulso fiscal realizado pelo governo no âmbito
do gasto público foi predominantemente na forma de ampliação das despesas de
custeio e não das despesas em investimentos, como seria necessário. A grata
notícia foi a manutenção da baixa taxa de desocupação, que alcançou em dezembro
4,6%, o menor valor da série histórica do IBGE desde março de 2002, e o
crescimento do rendimento médio real do trabalhador. Estes são os principais
resultados da economia brasileira, cujo desempenho será apresentado neste
boletim.

