quinta-feira, 22 de agosto de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Política Fiscal - jan/fev 2013
A análise do
orçamento federal dos primeiros meses de 2013 mostra um aumento na arrecadação
do último ano para este. Em janeiro, por exemplo, a arrecadação foi de R$ 117,16
bilhões, representando uma variação de 12,56% comparando com o mesmo mês do ano
anterior. Dentre os motivos para a grande arrecadação, destacam-se o pagamento da primeira cota ou cota única
do Imposto de Renda de pessoa jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro
Líquido, a arrecadação do Imposto de Renda Retido
na Fonte e a arrecadação da Cofins. Como esperado, a alta arrecadação usual de
janeiro não se sustentou no mês seguinte. Em fevereiro de 2013, tem-se uma
arrecadação de R$ 76,28 bilhões, número pouco menor do que o observado no
respectivo mês do ano anterior (variação de apenas 1,92%).
Tanto o
significativo aumento em janeiro, quanto a leve diminuição das arrecadações em
fevereiros, ambas foram puxadas, basicamente, pelas receitas do Tesouro, nas
rubricas impostos e contribuições; já as receitas da Previdência Social e do
Banco Central mostram que, embora os valores sejam bem menores, as variações
são significativas: no tocante às receitas advindas da previdência, houve
variação positiva de 8,5% em janeiro e de 14,19% em fevereiro; e no tocante às
receitas do Banco Central, nota-se variação positiva de 13,63% em janeiro,
comparado ao mesmo mês do ano anterior e variação de 36,11% em fevereiro. Conquanto
haja uma grande diferença de arrecadação entre os primeiros meses de 2013, o
mesmo gap não se aplica às transferências a estados e municípios: houve apenas variações
de 0,32%, em janeiro, e de 14,11%, em fevereiro.
No tocante às
despesas, primeiramente cabe destacar que nos dois primeiros meses do ano o
Orçamento do ano de 2013 não estava aprovado; em outras palavras, os gastos do
governo estavam restritos aos limites de gastos previstos na LDO. Ainda assim, observa-se um aumento das despesas
nos primeiros meses do ano, uma vez comparadas aos mesmos meses do ano
anterior, com uma variação positiva de 12,46%, em janeiro, e de 11,93%, em
fevereiro. Esses gastos foram puxados por leves aumentos nas despesas do
tesouro nacional, com custeio e capital, benefícios previdenciários e as
despesas do Banco Central. Destaca-se a queda em Despesas de Custeio e Capital,
dada a menor execução das despesas do Programa de Aceleração do Crescimento e
redução nas despesas do FAT.
Por fim, com
relação ao resultado primário do governo central, temos que, apesar do aumento
notado em janeiro desse ano (uma variação positiva de 20,54% se comparado ao
mesmo mês do ano passado), há uma queda expressiva em fevereiro (variação
negativa de 16,06%, se comparado com o mesmo mês do ano passado).
A dívida líquida
do setor público, que em dezembro de 2012 foi de R$ 1,550 trilhão, fechou os
meses de janeiro e fevereiro em R$ 1,563 e R$ 1,593 trilhão, respectivamente.
Já em relação ao PIB, que era de 35,2% em dezembro, permaneceu praticamente
estável nos meses de janeiro e fevereiro, fechando em 35,2% e 35,7%
respectivamente. A relativa estabilidade da relação DLSP/PIB em janeiro
decorreu, por um lado, do superávit primário, que contribuiu para a redução da
relação em 0,7 p.p. do PIB, e do crescimento do PIB corrente, que contribuiu
com redução correspondente 0,3 p.p. do PIB. Em sentido contrário, a apropriação
de juros nominais contribuiu para o aumento da relação em 0,5 p.p., e a valorização
cambial de 2,7% registrada no mês, com 0,4 p.p. Já em fevereiro, relação
DLSP/PIB cresceu 0,5 p.p em relação a janeiro de 2013. Contribuíram para esse
crescimento os juros nominais apropriados, com 1 p.p. do PIB; a valorização
cambial de 3,3% no ano, com 0,5 p.p.; e o ajuste de paridade da cesta de moedas
que compõe a dívida externa líquida, com 0,1 p.p. Em sentido contrário, o
superávit primário contribuiu para redução da relação em 0,6 p.p., e o
crescimento do PIB corrente, com 0,5 p.p.
Já a dívida
mobiliaria federal, que em dezembro de 2012 era de R$ 1,916 trilhão, fechou os meses
de janeiro e fevereiro de 2013 no valor de R$ 1,837 e R$ 1,864 trilhão
respectivamente. Os resultados de janeiro de 2013 mostram um decréscimo de R$
78,9 bilhões em relação a dezembro de 2013. Isso se deve aos resgates líquidos
de R$ 98,9 bilhões, decréscimo de R$ 0,3 bilhão em razão da apreciação cambial
e incorporação de juros de R$ 20,3 bilhões. A participação por indexador
registrou a seguinte evolução, em relação a dezembro: a porcentagem dos títulos
indexados a câmbio passou de 0,5% para 0,4%; a dos títulos vinculados à taxa
Selic reduziu-se de 17,6% para 17,3%; a dos títulos prefixados caiu de 32,7%
para 27,8%, pelos resgates líquidos de NTN-F e LTN; e a dos indexados a índices
de preços passou de 28,2% para 27,8%. A participação das operações
compromissadas evoluiu de 20,6% para 26,2%, em razão de vendas líquidas de
R$119 bilhões.
Já em fevereiro de 2013 o
resultado foi um acréscimo de R$ 26,3 bilhões em relação ao mês anterior
(janeiro de 2013). Isso se deve as emissões líquidas de R$ 8,3 bilhões,
decréscimo de R$0,1 bilhão em razão da apreciação cambial e incorporação de
juros de R$ 18,1 bilhões. A participação por indexador registrou a seguinte
evolução, em relação a janeiro: a porcentagem dos títulos indexados a câmbio
permaneceu em 0,4%; a dos títulos vinculados à taxa Selic elevou-se de 17,3%
para 17,7%, devido às emissões de LFT; a dos títulos prefixados evoluiu de
27,8% para 28,7%, pelas emissões líquidas de LTN e NTN-F; e a dos indexados a
índices de preços passou de 27,8% para 28%. A participação das operações
compromissadas reduziu-se de 26,2% para 24,7%, em razão de compras líquidas de
R$12,8 bilhões.
A dívida bruta
do governo geral, que fechou o mês de dezembro de 2012 em R$ 2,583 trilhões
(58,7 % ao PIB), apresentou os seguintes resultados. Alcançou R$ 2,623 trilhões
(59,2 % do PIB) em janeiro, elevando-se 0,5 p.p. do PIB em relação ao mês
anterior, contribuindo para isso a incorporação de juros e a elevação das
operações compromissadas no mês. E em fevereiro de 2013 alcançou R$2.640,9
bilhões (59,1% do PIB), mantendo-se praticamente estável (redução de apenas 0,1
p.p) como proporção do PIB em relação ao mês anterior.
Fonte: STN e BCB Notas para imprensa Política Fiscal
terça-feira, 23 de abril de 2013
Setor Externo jan/fev 2013
Nos dois primeiros meses do ano, o balanço de pagamentos foi superavitário.
Em janeiro, o resultado foi de US$ 1,4 bilhão e, em fevereiro, de US$ 1,9
bilhão. Tal resultado foi novamente puxado pela conta capital e financeira, já
que as transações correntes fecharam deficitárias em US$ 11,4 bilhões e US$ 6,6
bilhões no primeiro bimestre. A conta capital e financeira neste mesmo período
apresentou superávit de US$ 12,4 bilhões e US$ 8,5 bilhões. Abaixo detalhamos
um pouco mais cada conta.
Transações Correntes
Um dos principais destaques das transações correntes foi o déficit da
balança comercial. Se no ano passado o saldo fechou positivo em US$ 19,4
bilhões, nos dois primeiros meses de 2013 o saldo foi negativo em US$ 4,04
bilhões e US$ 1,3 bilhão, respectivamente. Tal resultado se deve a um maior
valor das importações em relação às exportações, já que as exportações mantiveram-se
estáveis. Em relação à conta de serviços e rendas, o resultado foi um déficit
de US$ 6,9 bilhões, acumulado nos dois primeiros meses.
Conta Capital e Financeira.
A conta capital, que fechou o ano de 2012 negativa, foi positiva nos
dois primeiros meses do ano. Já em relação à conta financeira, de janeiro a fevereiro
houve uma redução no saldo apurado, de US$ 12,2 bilhões no primeiro mês do ano,
para US$ 8,5 bilhões no segundo mês. Tal queda se deve principalmente ao
aumento dos investimentos brasileiros, tanto em carteira quanto direto, e a
diminuição do investimento estrangeiro em carteira, enquanto o investimento
estrangeiro direto obteve uma leve elevação.
Dívida Externa
A posição estimada da dívida externa total referente ao primeiro bimestre
do ano totalizou US$ 316,3 bilhões, acréscimo de US$ 3,4 bilhões em relação ao
montante estimado para dezembro de 2012. Essa variação ocorreu, em grande
parte, pelas captações líquidas de empréstimo do setor bancário e pelo governo.
Fonte: BCB. Notas para imprensa Setor Externo
Fonte: BCB. Notas para imprensa Setor Externo
quinta-feira, 18 de abril de 2013
Política Monetária - jan/fev 2013
O
IPCA/IBGE acumulado nos últimos 12 meses em janeiro de 6,15% e em fevereiro de
6,31% se aproximou do teto da meta de inflação de 6,5%. Nesse cenário de
pressão inflacionária puxada pelos alimentos, nos meses de janeiro e de
fevereiro, havia a expectativa de aumento da taxa básica de juros Selic, que
estava em 7,25% ao ano. De fato, esta expectativa se concretizou. Na reunião do
dia 18/04/2013, o COPOM elevou a taxa básica para 7,5% ao ano.
A média dos saldos diário da base monetária,
em janeiro, alcançou R$ 226,8 bilhões, registrando uma queda de 1,8% no mês e
um aumento de 13% em doze meses. Esse resultado deveu-se à retração de 4,3% no
papel-moeda emitido e ao crescimento de 7,3% das reservas bancárias, que ainda
reflete o aumento sazonal da demanda por moeda em dezembro. Entre os fatores condicionantes
destacaram-se as operações com títulos públicos federais, com queda de R$ 21,3
bilhões. Em contrapartida, as operações do Tesouro Nacional registraram um
aumento de R$ 6 bilhões.
Os meios de pagamento restritos apresentaram
um saldo médio diário de R$ 300,5 bilhões em janeiro, após uma redução de 4% no
mês. Esse resultado reflete a queda de 4% do papel-moeda em poder do público e
de 4,1% dos depósitos à vista. O M1, nos últimos doze meses, aumentou em 11,6%,
reflexo da variação de 12,4% do papel-moeda em poder do público e de 10,8% dos
depósitos à vista.
Em fevereiro, a base monetária apresentou um
saldo médio diário de R$ 214,9 bilhões com declínio de 5,2% no mês, resultante
das quedas de 2,1% no papel-moeda emitido e de 15,3% nas reservas bancárias.
Dentre os fatores que condicionaram a emissão monetária há o destaque das
operações do Tesouro Nacional, contracionistas em R$ 19,1 bilhões. Em
contrapartida, as operações com títulos públicos tiveram caráter expansionista
com o aumento de R$ 3,8 bilhões, assim como as compras líquidas de divisas no
mercado interbancário, em R$ 3,6 bilhões. Nos 12 últimos meses, a base
monetária expandiu em 10,5%.
Os meios de pagamento restritos (M1) tiveram
um saldo médio diário de R$ 290,5 bilhões em fevereiro, descrevendo uma queda
de 3,3% no mês. Essa redução corresponde à retração de 2,9% no papel-moeda no
poder do público e de 3,7% nos depósitos à vista. O crescimento acumulado de M1
em 12 meses foi de 11,2%.
Fonte:
BCB. Notas para a imprensa de 26/02/2013 e 26/03/2013.
terça-feira, 2 de abril de 2013
Boletim Nº. 48 - Março/2013 - Apresentação
Em
2012, o Grupo de Estudos e Pesquisa em Conjuntura do Departamento de Economia
da UFES completou 15 anos de atividade, data celebrada em um ano marcado por
contrastes na conjuntura econômica brasileira.
De
um lado, aprofundou-se a flexibilização do chamado tripé da política
macroeconômica – a combinação de políticas formada pelo sistema de metas de
inflação, superávit fiscal e regime de câmbio flutuante, adotado desde o
segundo Governo FHC – com o uso de políticas econômicas ativas que tiveram por
objetivo sustentar o consumo, impulsionar o investimento e, assim, expandir o
crescimento, em meio à crise econômica internacional. Este processo já vinha
ocorrendo desde 2009 como resposta a crise financeira internacional de 2008,
notadamente no campo da política fiscal. Entre as medidas adotadas, destacam-se
a redução da taxa de juros Selic ao patamar histórico de 7,25%, em continuação
à trajetória de queda iniciada em agosto de 2011; a política de expansão do
crédito, com a redução das taxas de juros ao tomador final iniciada nos bancos
públicos seguida, posteriormente, pelos bancos privados; a desvalorização
administrada do real; e as desonerações fiscais, em particular, no setor
industrial, combinadas com mecanismos de mensuração do déficit público não
convencionais.
Por
outro lado, não se observou a contrapartida destas políticas ativas no
desempenho da economia brasileira. O produto interno bruto registrou baixa
expansão, apenas 0,9%, sustentada, na ótica da demanda, pelo consumo e, na
ótica da despesa, pela expansão do setor de serviços. A indústria, motor
dinâmico de uma economia, apresentou queda de 0,8%, puxada pela queda de 2,5%
na indústria de transformação. O investimento em formação bruta de capital
fixo, por sua vez, reduziu-se em 4%. O setor externo registrou uma piora no
saldo do balanço de pagamentos resultado das quedas no saldo da balança
comercial e na entrada de recursos na conta capital e financeira, aliadas ao
aumento das importações de serviços, reflexos das conjunturas econômicas
interna e externa. A política monetária atingiu o objetivo de controlar a
inflação, com o resultado do IPCA abaixo do teto previsto para a meta. Porém,
os resultados nos meses iniciais de 2013 indicam que a política de taxa de
juros baixa pode não ser mantida por muito tempo, com fortes pressões do
mercado para a sua elevação. A política fiscal, por sua vez, cumpriu as metas
de superávit fiscal, ainda que somente por meio de manobras contábeis, e
manteve seu caráter anticíclico com uma combinação de desonerações fiscais e
aumento da despesa. Contudo, o impulso fiscal realizado pelo governo no âmbito
do gasto público foi predominantemente na forma de ampliação das despesas de
custeio e não das despesas em investimentos, como seria necessário. A grata
notícia foi a manutenção da baixa taxa de desocupação, que alcançou em dezembro
4,6%, o menor valor da série histórica do IBGE desde março de 2002, e o
crescimento do rendimento médio real do trabalhador. Estes são os principais
resultados da economia brasileira, cujo desempenho será apresentado neste
boletim.
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