terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Boletim N.º 51 - Novembro 2014- Apresentação



O Brasil foi marcado, nos dois primeiros trimestres de 2014, essencialmente pelas eleições e pela Copa do Mundo de Futebol. Mesmo com a finalização das obras como estádios, vias e meios de transporte e o esperado crescimento no ingresso de turistas, além do chamado ciclo eleitoral, que costuma estimular a economia, esses eventos não afetaram em nada a tendência do baixo desempenho da Economia Brasileira nos últimos anos. Assim, os dois primeiros trimestres apresentaram taxas negativas de crescimento do PIB, um estado de recessão técnica segundo o NBER. Após a conclusão do processo eleitoral e a divulgação de novos dados, não se pode ter expectativas otimistas sobre os resultados econômicos para este ano de 2014 e muitos apostam que para o próximo, também.
A ligeira aceleração da inflação medida pelo IPCA, de 6,3%, em 2013, para 6,5%, em 2014, acumulados em julho; a polpuda queda do superávit primário do governo central de R$ 38,4 bilhões para R$ 4,7 bilhões, acumulados até agosto nos dois últimos anos; e a pressão para desvalorização da taxa de câmbio, que era de R$ 2,20, em 30 de junho e chegou a R$ 2,49 às vésperas do primeiro turno das eleições, alimentou fartamente as críticas da oposição durante os debates eleitorais, ela pintou um cenário extremamente negativo e um possível caos econômico com a reeleição.
Após a conclusão do processo eleitoral, a pressão da burguesia nacional associada à burguesia internacional contra o governo, representada politicamente pela oposição, continuou em vários planos, essa pressão foi e continua sendo amplamente divulgada e apoiada pela grande imprensa. A pressão apareceu no mercado cambial, cuja taxa chegou a R$ 2,56, em 11 de novembro, na indicação de um representante do mercado financeiro para o Ministério da Fazenda e nos arranjos, articulações e alianças no Congresso Nacional, onde a oposição defendeu que tornaria o país pouco governável. Em resposta, os primeiros movimentos do governo foram a elevação da taxa básica de juros para 11,25% ao ano, a autorização para elevação do preço dos combustíveis e o anúncio de medidas de redução nas despesas, tais como o seguro-desemprego, o abono salarial e o auxílio-doença, além da redução nos subsídios concedidos através dos empréstimos do BNDES. 
Estranhamente, a imprensa não fez uma ampla divulgação de que esses possíveis cortes, no seguro-desemprego e no abono salarial, são pagos com recursos dos próprios trabalhadores, o Fundo de Amparo ao Trabalhador, que também financia uma parte importante dos empréstimos efetuados pelo BNDES, para os investimentos dos capitalistas, com uma taxa de juros subsidiada de 5% ao ano. Ou seja, caso esses cortes sejam efetivamente realizados os trabalhadores serão duplamente penalizados, pela perda de benefícios e pela transferência da redução desses gastos para o superávit primário. Mas, isso não significa necessariamente o aumento de recursos livres para o pagamento dos juros da dívida interna. 
Nesse debate, entre governo e oposição, nenhum dos lados levantou e nem discutiu os custos da dívida interna em títulos. O Tesouro Nacional já tinha emitido, em julho de 2014, um total de R$ 3,05 trilhões em títulos da dívida pública e o Banco Central tinha colocado R$ 2,08 trilhões no mercado, o que representava 70,8% do PIB, estimado para julho de 2014. Essa dívida, que consumiu em juros R$ 148,2 bilhões ou 5,02% do PIB até julho de 2014, deve cobrar mais de R$ 255 bilhões de juros no ano de 2014. 
A dívida interna em títulos foi constituída e expandida pela política de taxas de juros elevadíssimas decorrente do plano Real e das negociações com o FMI em 1998 com o colapso do Plano Real. Ela não contribui em nada para o financiamento do setor público e nem para os investimentos produtivos de qualquer espécie, aliás, uma parte dela funciona como um parasita extraindo recursos da sociedade através do orçamento público e outra parte é usada para o BNDES efetuar empréstimos àquela taxa subsidiada.
O desempenho da economia brasileira no próximo ano vai depender de um conjunto de fatores relacionados à disputa de poder entre as forças que apoiam o governo e a oposição. Uma parte desse desempenho pode ser o resultado das medidas de política macroeconômica, outra parte, do que as classes dominantes nacionais e estrangeiras considerarem que até que ponto essas medidas são adequadas ou não aos seus interesses e, enfim, dos limites e restrições externos. De qualquer modo, para que o governo possa efetivamente alavancar seus investimentos, numa política voltada ao crescimento, ele precisa reduzir os subsídios ao capital e à remuneração da dívida pública em títulos. Esse embate ainda não está definido para o próximo governo.

Esta edição do boletim traz a análise da economia brasileira no período pré-eleitoral e conta novamente com a participação do Prof. Fabrício Augusto de Oliveira sobre as perspectivas da economia para 2015. 

Boa leitura!


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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Setor Externo - Janeiro a Maio 2014

Autores: Anelyse David, Matheus Jesus e Rayssa Bolleli
Orientador. Prof. Enrique Casais

Setor Externo

Os cinco primeiros meses do ano de 2014 encerraram-se com um resultado positivo de US$ 8,3 bilhões de dólares no balanço de pagamentos. Em relação ao ano anterior, cujo superávit no mesmo período foi de US$7,6 bilhões, houve um aumento de apenas 8,9%. Esse fato apenas manteve a tendência do resultado positivo do balanço de pagamentos brasileiro nos primeiros meses do ano. 
Neste mesmo período, as transações correntes apresentaram um déficit de US$40,1 bilhões, o que significou um pequeno aumento de 1,98% em relação a 2013. A conta capital financeira, por sua vez, registrou uma leve queda de 3,5%, com um superávit de US$45,8 bilhões.

Transações correntes

Em relação às transações correntes, percebe-se resultados mais estáveis, bem semelhantes aos auferidos no ano de 2013. Uma pequena ressalva se faz aos resultados apresentados pela balança comercial, o que dá um pequeno indicativo de alteração da composição do déficit. Este ponto será retomado mais a frente.

A abertura da conta de transações correntes revela que tanto as rubricas de Viagens Internacionais quanto lucros e dividendos permanecem praticamente constantes, havendo mudança unicamente na subconta de pagamento de juros, onde se verifica um leve aumento. Em linhas gerais, isso pode ser reflexo da  recuperação da economia internacional, o que tem pressionado desde o final do ano passado, uma tendência a  elevação das taxas de juros em diversos países.

A balança comercial, outra componente das transações correntes, nos cinco primeiros meses do ano, apresentou um resultado deficitário de US$4,8 bilhões de dólares. No comparativo de janeiro-maio de 2014 com o mesmo período de 2013, percebe-se que houve uma queda de 3,5% no tamanho do déficit apresentado. A explicação para isto é que, em relação a quantidade e preços das exportações e importações, houve uma queda em relação ao mesmo período do ano passado.
Já com base na pauta de exportação brasileira, os resultados apresentados apenas fortaleceram a tese de que a economia do nosso país tem regredido do ponto de vista da sua especialização na cadeia produtiva. No período, houve uma queda na participação dos produtos industrializados em 8,5%, enquanto os produtos básicos com baixo valor agregado apresentaram um crescimento de 2,9%. Ao comparar o mesmo período de 2013 com o deste ano, os produtos que mais apresentaram queda no valor das exportações foram respectivamente: milho em grãos (-54,29%), automóveis de passageiros (-30%), e açúcar refinado (-39,38). Entretanto, tais produtos têm um peso de apenas 6% em nossa pauta exportadora. Os produtos com maior peso, soja e minérios de ferro, que juntos representam cerca de 24% de nossas exportações, variaram respectivamente 21% e -5,23% no valor exportado em relação ao mesmo período do ano passado. A explicação para o bom resultado da soja, foi que o preço desta commodity no mercado internacional estava muito favorável, o que alavancou as exportações principalmente para a China, que corresponde a aproximadamente 63% da demanda por este grão. Já a conta petróleo, que compreende a diferença entre o que a importação e exportação de petróleo e seus derivados, ainda continua sendo a principal responsável pelo déficit de nossa Balança Comercial,no período analisado, embora o montante do déficit foi menor.

De modo complementar, percebe-se que apenas duas regiões brasileiras apresentaram aumento em suas exportações: região Centro-Oeste, 2,1% e Norte, 4,7%. Isto fortalece hipóteses recentes acerca da perda de capacidade de regiões, Sul e Sudeste, que tradicionalmente ditaram a dinâmica econômica interna através  da interiorização do crescimento econômico do País.

Houve uma queda na demanda por produtos brasileiros na maioria dos blocos e países, exceto a União Europeia e Europa Oriental. Quanto à demanda da China, maior compradora individual dos produtos brasileiros, verificou-se uma queda de 10% das exportações brasileira para este país, que é um resultado expressivo. Isto é reflexo da diminuição do crescimento chinês, tendência que fora indicada no boletim anterior. Mas o que sem dúvida apresentou forte impacto nas exportações brasileiras, foi a queda de exportação para Argentina e para o Chile. As exportações para  Argentina, possivelmente em virtude do contexto de crise fiscal e instabilidade cambial, apresentaram uma queda de 29,8%. Em suma, o fator que chama atenção na composição de nossos principais parceiros econômicos é a forte queda das exportações para os países latino-americanos.

Conta Capital e Financeira

Como já indicado nos boletins passados, a Conta Capital e Financeira, principalmente a partir da abertura econômica realizada nos anos 1990, tem sustentado os déficits em Transações Correntes do nosso Balanço de Pagamentos, garantindo assim, os superávits obtidos nas contas externas. No começo de 2014, o resultado não poderia ser diferente. Os US$ 45 bilhões que entraram por essa conta, garantiram o superávit do Balanço de Pagamentos.

Nestes cinco primeiros meses de 2014, o Investimento Estrangeiro Direto (IED) foi responsáveis por 55% do total de divisas que entraram no país através da Conta Capital e Financeira. Isto confirma o peso que este fluxo de capitais tem para a estabilidade do setor externo.

Entretanto é importante destacar que o capital ingressante na forma de Investimento Estrangeiro Direto (IED), apesar de ser o principal responsável pelo superávit da Conta Capital e Financeira, contribui, em conjunto com os Investimentos Estrangeiros em Carteira (IEC), para o déficit das Transações Correntes, pois acarreta em alto déficit na conta de rendas e serviços, decorrente das remessas de juros, lucros e dividendos.

Desta maneira, conclui-se que muito pouco foi alterado nestes cinco primeiros meses de 2014 em relação ao mesmo período do ano passado, o que pode ser um indício de que o momento de inflexão nas contas externas apresentado no boletim de conjuntura de 2013 tende a se manter esse ano, o que poderá apenas ser confirmado no fechamento do balanço de pagamentos do final do ano.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

O Grupo de Conjuntura retoma suas atividades neste semestre 2014/2 no dia 29/08 e convida os alunos do Curso de Ciências Econômicas para participar dos seus subgrupos de estudos. 


PARTICIPE!
Sexta-feira, 29/08, às 11hs, Sala 402.

As reuniões são abertas a todos os interessados.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Política Monetária - 1º quadrimestre 2014

Autores: Rafael Pereira dos Santos, Ricardo Silva Pereira, Suiani Febroni Meira
Orientador. Prof. Luiz Jorge V. P. Mendonça

Política Monetária

O Comitê de Política Monetária (Copom), órgão colegiado do Banco Central do Brasil (BACEN) tem como objetivo implementar a política monetária, definir a meta da Taxa Selic e seu eventual viés, e analisar o Relatório de Inflação. A taxa de juros fixada na reunião do Copom é a meta para taxa Selic (taxa média de financiamentos, com lastro em títulos federais, apurados no Sistema Especial de Liquidação e Custódia), a qual vigora por todo o período entre reuniões ordinárias do Comitê. 

As decisões do Copom têm como objetivo cumprir as metas para a inflação definidas pelo Conselho Monetário Nacional. A meta atual é de 4,5% (centro da meta) e pode variar em 2 pontos percentuais para mais (limite superior) ou para menos (limite inferior), e tem como base o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Dessa forma, o Copom promoveu, ao longo de 2013 e também no primeiro semestre de 2014, altas consecutivas na meta da Taxa Selic com o objetivo de controlar o processo inflacionário no país.  De acordo com o Gráfico 1, o patamar da Selic no primeiro semestre de 2014 está mais alto quando comparado ao primeiro semestre de 2013. Na 183ª reunião (maio 2014), o Copom manteve a Taxa Selic em 11% a.a sem viés diante da “avaliação de evolução do cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação”.
A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro, consideradas as operações com recursos livres e direcionados, atingiu 21,4% a.a. em maio, avançando 0,3 p.p. no mês e 3,3 p.p. em doze meses. Nos empréstimos a pessoas físicas, a taxa média de juros subiu 0,2 p.p. no mês e 3,9 p.p. em doze meses, ao registrar 27,9% a.a. Nos empréstimos às empresas, a taxa média alcançou 16,3% a.a., após elevações de 0,3 p.p. no mês e de 2,8 p.p. em doze meses. Algumas formas de financiamento  com recursos livres para pessoas físicas são: cheque especial, crédito pessoal, aquisição de veículos, cartão de crédito. E para pessoas jurídicas: desconto de duplicatas, capital de giro, conta garantida, adiantamento de contrato de cambio (ACC). As formas de financiamento tanto para pessoas físicas como jurídicas com recursos direcionados incluem: crédito rural, Banco Nacional Desenvolvimento Econômica e Social (BNDES), financiamento imobiliário e outros. De acordo com o Gráfico 2 abaixo, observa-se um acompanhamento das taxas medias de juros com a taxa Selic, embora sempre com elevado spread em relação à mesma.

Crédito

Segundo os dados divulgados pelo Banco Central, as operações de crédito do sistema financeiro fecharam o mês de abril com saldo de R$ 2,78 bilhões, alta de 2,2% desde o início de 2014. Já os créditos destinados a pessoa física e jurídica, a alta foi de 2,3% e 2%, respectivamente, mesmo diante das elevações da taxa Selic. Comparando com o final do 2º semestre de 2013 a alta é de 2,2%. 

Já a taxa de inadimplência, praticamente manteve-se estável, com 1,9%, para as empresas, e 4,4% para as famílias, se comparada ao 2º semestre de 2013. As concessões de crédito obtiveram uma elevação de 5,6% entre janeiro e abril, fechando o mês com saldo de R$ 308,4 bilhões, cerca de 9,9% de aumento para as pessoas jurídicas. O mesmo não pôde ser observado para o crédito a pessoas físicas, que registrou retração das concessões em 1,64%. O próprio endividamento das famílias, além do aumento dos juros vem dificultando o acesso ao crédito por parte destas. A taxa de juros elevou-se de 26,8% para 27,7%, de janeiro a abril, para as pessoas físicas, enquanto para as jurídicas foi de 15,9% para 16%, no mesmo período.  

A relação do crédito com o PIB manteve-se constante com 29,9% destinados para as pessoas jurídicas e de 26,1% para as pessoas físicas, totalizando no mês de abril 55,9% do PIB. Este percentual é igual ao registrado no mês de janeiro de 2014. Em relação ao final do 2º semestre de 2013, representa uma baixa de 0,2 p.p.. 

O estoque de recursos livres para as empresas, aqueles concedidos pelos bancos privados e que contém uma taxa de juros mais elevada, reduziu de 15,3% para 15,1% de janeiro a abril, assim como aos destinados para as famílias, de 15,4% para 15,1%. Os recursos direcionados, concedidos pelo governo e que possuem uma taxa de juros menor, praticamente mantiveram-se constantes para as empresas, de 14,6% em janeiro para 14,7% em abril de 2014. No que diz respeito aos concedidos às famílias, a concessão de créditos direcionados também não foi muito diferente elevando-se de 10,6% para 10,9%.          

O financiamento para investimento com recursos do BNDES recuou 4,81% desde janeiro de 2014, de R$ 106,7 bi para R$ 101,8 bi em abril. Seguindo o mesmo sentindo, o financiamento agroindustrial apresentou recuo de 0,2%, passando de R$ 86 bilhões para R$ 85,8 bilhões.

O crédito para a União elevou-se em comparação ao último semestre de 2013, cerca de 9%, totalizando R$ 77,49 bilhões, assim como para Estados e Municípios, em que esse aumento foi de 8,8%, registrando em abril R$ 89,52 bilhões. No total, o volume de crédito destinado ao setor público foi de R$ 516,86 bilhões. Já no setor privado, destaca-se o crédito imobiliário, com elevação de 6,3% e totalizando R$ 429,35 bilhões, e o rural, com alta de 4,58%  e saldo de R$ 231,47 bilhões. O setor de crédito para a indústria fechou o mês com crescimento de 1,3%, com saldo de R$ 516,86 bilhões, o comércio teve uma ligeira alta de 0,7% com saldo de R$ 236,79 bilhões em abril, se comparado a janeiro deste ano. 

Mesmo diante das constantes elevações da taxa de juros SELIC, o que tende a um aumento geral dos juros e consequente dificuldade de acesso ao crédito, o crédito destinado para as famílias, empresas e os governos mostra expansão, apesar das previsões de restrição à tomada de crédito por parte dos agentes econômicos neste cenário.

Agregados monetários

A base monetária, que é a soma do papel-moeda emitido mais reservas bancárias, apresentou um saldo de R$ 222,4 bilhões em abril, com uma pequena contração de 0,2% no período de janeiro a abril de 2014. Esta contração foi puxada pela queda do papel-moeda emitido, que apresentou uma variação negativa de 1,1%, enquanto as reservas bancárias apresentaram expansão de 3,9%.

Quando analisado os fatores condicionantes da base monetária para o período de janeiro a abril de 2014, nota-se que o principal responsável pela criação de moeda foram as operações com o setor externo, com um saldo de fluxo no período de R$ 13,9 bilhões. Este valor está associado a compra de Dólar que o Banco Central vem realizando. Esta medida pode estar relacionada com a necessidade de manter reservas cambiais, a fim de conter a possível desvalorização do Real.

Ainda neste sentindo, o Banco Central vem realizando o programa de leilões de swap desde agosto de 2013 que, segundo informações do próprio BCB, deve vigorar até 30 de junho de 2014. Os leilões de swap ocorrem de segunda a sexta-feira com oferta de US$ 200 milhões por dia.

A principal justificativa do Banco Central para manutenção deste instrumento é atender a demanda de hedge cambial e liquidez no mercado de câmbio. Percebe-se que esta é uma maneira do Banco Central atuar sobre o câmbio para conter a desvalorização do Real, diante de uma pressão por demanda de dólares, já que as reservas internacionais não estão sendo garantidas pela balança comercial que apresentou um déficit de R$ 5,5 bilhões, segundo dados do Banco Central, isto no primeiro quadrimestre de 2014. 

Além disso, uma desvalorização do Real poderia levar a intensificação do processo inflacionário, pois a inflação brasileira pode estar apresentando o perfil de uma inflação de custo, uma vez que o IPCA tem acompanhado a variação cambial. Deste modo, o remédio de aumentar a taxa de juros para conter uma inflação que supostamente seria demanda, não se justificaria diante da atual conjuntura.

O impacto contracionista da base monetária no primeiro quadrimestre de 2014 foi determinado pelos seguintes fatores, em ordem de importância: operações com derivativos, depósitos em instituições financeiras, outras contas, operações com títulos públicos e conta do Tesouro Nacional, conforme Tabela 1.


O saldo negativo de R$ 14,6 bilhões das operações com derivativos mostra que o Banco Central vem recebendo mais pela variação do câmbio, do que paga pela variação dos juros na venda de swap cambial. Possivelmente, este “ganho” que o Banco Central tem obtido pode evidenciar que existe pressão para alta da taxa de câmbio.

As operações com títulos públicos apresentaram impacto contracionista, com o Banco Central vendendo títulos no mercado secundário. O objetivo principal das operações com títulos públicos não é atuar sobre a liquidez, mas sim garantir a Selic dentro da meta, isto é, a administração das taxas de juros no curto prazo e a rolagem da dívida pública federal.

O meio de pagamento restrito (M1) apresentou variação nominal negativa de R$ 4,6 bilhões para o quadrimestre. Uma contração de 1,5% na média dos saldos diários. O depósito à vista correspondeu a cerca de 51% do M1 durante o período.

O M2, que corresponde ao M1 mais emissões de alta liquidez realizadas primariamente no mercado interno por instituições depositárias, apresentou variação positiva de 1,8% no primeiro quadrimestre, variando em 14,3% em relação ao mesmo período de 2013. A participação dos títulos privados, que corresponde a aquisição de CDBs e debêntures, ganha destaque nesta elevação.

O M3, que corresponde ao M2 mais captações internas por intermédio dos fundos de renda fixa e das carteiras de títulos registradas no Selic, apresentou variação positiva de 3% no período de janeiro a abril de 2014, porém menor que a variação do mesmo período do ano passado. Contribuiu para esta queda as operações compromissadas com títulos públicos federais que apresentaram variação nominal negativa de R$ 5,3 bilhões. O M4 apresentou uma variação positiva de 1%, no valor de R$ 86,2 bilhões, com maior participação dos títulos públicos federais que a observada no mesmo período de 2013.

Analisando os dados dos meios de pagamento de janeiro de 2011 a janeiro de 2014, observa-se que o M4 apresentou tendência de alta, variando em 48%, passando de R$ 3 trilhões para R$ 4,4 trilhões. Esta tendência de alta é puxada principalmente pelos componentes do M4 e M3, ativos menos líquidos mas com maiores rendimentos. Existe a hipótese de que a manutenção de alta destes ativos é necessária para que o governo mantenha uma política econômica favorável, garantindo a rolagem da dívida e atração de capitais externos, dado o peso da entrada destes capitais que têm segurado o superávit do balanço de pagamento.